30 de jun. de 2009

Plano para pavimentar o "B" de Bric

onte:
Jornal do Brasil
30/6/2009



O Brasil foi alçado ao Bric por obra do banco americano Goldman Sachs. Em termos práticos, no entanto, se quiser pelo menos se aproximar das taxas de crescimento dos demais países do grupo (Rússia, Índia e China), o emergente sul-americano teria que multiplicar por 17 o total de investimentos anuais, só em infraestrutura logística e de transporte. Para pelo menos reduzir a distância, e ampliar a competitividade dos produtos Made in Brazil com a redução do chamado Custo Brasil, um levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT), o Plano CNT de Logística 2008, prevê a necessidade de o país investir R$ 280 bilhões, nos próximos 10 anos, em 570 projetos do setor.
O presidente da CNT, Clésio Andrade pondera que, apesar de não elevar a média de desembolsos no setor ao patamar dos demais Brics, o montante sugerido pelo estudo é suficiente para impedir um apagão logístico no país, ao ampliar para 20% do Produto Interno Bruto (PIB) a capacidade de absorção do crescimento do país pelo setor de transportes e logística. Na prática, justifica, isso significa que, com tais aportes, o PIB do país poderia crescer até 20% sem o colapso da infraestrutura do setor.
A título de comparação, adverte Andrade, essa capacidade hoje não ultrapassa a 1%. Ou seja, mesmo que o país consiga elevar o PIB a uma taxa positiva de só 1%, já será suficiente para comprometer o escoamento de bens e mercadorias por portos, estradas e ferrovias brasileiros.
Recursos da Cide
Para se ter dimensão do desafio, o presidente da CNT lembra que, nos últimos cinco anos, a média de investimentos no setor de transportes do país não ultrapassou R$ 4 bilhões – aí incluídos recursos públicos e privados. No mesmo período, os desembolsos de Rússia, Índia e China no mesmo segmento variou de US$ 70 bilhões a US$ 100 bilhões anuais.
Embora admita a dificuldade de o Brasil chegar sequer perto desse patamar, Andrade afirma que a situação pode pelo menos melhorar, sem a necessidade de malabarismos fiscais. Porque dinheiro há. Bastaria, segundo o executivo, que os recursos da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) – o chamado imposto da gasolina – fossem destinados à aplicação originalmente pensada.
Obstáculos burocráticos
Desde que foi criada em 2002, por meio de uma alíquota incidente sobre cada litro de gasolina comercializada no país, a Cide já arrecadou R$ 52 bilhões, até maio, aos cofres públicos. Desse total, adverte a CNT, só 37% foram destinados para o setor de transporte. A maior parte foi incorporada pela equipe econômica ao cálculo do superávit primário, a economia de recursos feita pelo governo para pagamento da dívida pública. Juntando-se os recursos da Cide com os efetivamente destinados pelo governo a obras de infraestrutura logística, nos últimos cinco anos, R$ 11 bilhões anuais poderiam ter sido destinados à melhoria da infraestrutura de rodovias, ferrovias e outros modais de transporte.
– O ideal, daqui para frente, é que o país invista R$ 28 bilhões, por ano – avalia Andrade. – Isso seria possível, no entanto, se alguns dos obstáculos aos projetos fossem eliminados, como a lentidão do processo burocrático e do licenciamento ambiental.
Essas dificuldades fazem com que os investimentos no setor de transportes do país tenha se limitado a R$ 4 bilhões, em média, apesar de o orçamento da União prever R$ 12 bilhões, nos últimos anos, só do governo federal.
Como sugestão, o presidente da CNT sugere a simplificação do processo de licenciamento ambiental. Até porque, justifica, essa dificuldade existe pela falta de um modelo integrado de projetos na área de logística. Andrade avalia que, se adotados procedimentos como a licitação integrada de empreendimentos – com a concorrência pública para o projeto e a execução da obra –, certamente o licenciamento ambiental ocorreria de forma mais célere.

Pedágio aumenta amanhã em SP

Fonte:
O Estado de S. Paulo
30/6/2009



A partir de amanhã, rodar pelas estradas paulistas ficará mais caro. Os valores dos pedágios serão reajustados, conforme contrato entre o governo do Estado e as concessionárias. Os reajustes variam de 3,64% a 5,19%. Descer para a Baixada Santista pelo Sistema Anchieta-Imigrantes vai custar R$ 17,80. Antes era R$ 17. Já o pedágio na Rodovia dos Bandeirantes passará dos atuais R$ 5,90 para R$ 6,10 e na Castelo Branco de R$ 10,80 para R$ 11,20.
Os índices foram divulgados ontem pela Agência Reguladora de Serviços Públicos de Transporte no Estado de São Paulo (Artesp). O índice de 3,64% vale para as empresas que têm contratos de concessão assinados entre 1998 e 2000. Os 5,19% são referentes aos novos contratos originados na segunda etapa do Programa de Concessões Rodoviárias.

Recém-concedida, a D. Pedro I vai passar de R$ 8,60 para R$ 9. E o Sistema Ayrton Senna-Carvalho Pinto passará de um total de R$ 16 divididos em quatro praças de cobrança para R$ 16,80. Nas três rodovias está prevista a construção de praças de pedágio bidirecionais. No trecho oeste do Rodoanel, a tarifa passa de R$ 1,20 para R$ 1,30, aumento de 8,33%.

De acordo com a Artesp, o arredondamento do cálculo dos centavos permitiu a 63% das praças de pedágio reajustar as tarifas abaixo do índice aplicado. O cálculo de cada trecho de cobertura de pedágio, que é multiplicado pelo valor da tarifa quilométrica, possibilitou a manutenção dos atuais valores em quatro praças de cobrança: Diadema e Eldorado, na Rodovia dos Imigrantes; Sorocaba, na SP-075, e em Rio Claro, na SP-191.

NOVOS PREÇOS

Anchieta/Imigrantes: R$ 17,80

Castelo Branco, km 33: R$ 11,20

Anhanguera/Bandeirantes, km 26,4: R$ 6,10

Raposo Tavares, km 46,5: R$ 6

Dom Pedro I: R$ 9

Rodoanel Trecho Oeste: R$ 1,30

Cresce participação do segmento de carga de projeto no faturamento das empresas

Fonte:
Guia Marítimo
30/6/2009



Operadores logísticos do setor marítimo com atividade no Brasil planejam aumento de participação do setor de carga de projeto no faturamento. "[A divisão de carga de projeto] ainda é muito pequena, ao redor de 5%. Acredito que ainda temos muito espaço para crescer nesse segmento", afirmou ao Guia Marítimo Thiago Aracema, diretor de Projetos Industriais da DHL.
"A participação do setor [carga de projeto] representa 30% do faturamento. O produto tem um potencial de crescimento enorme", disse Cleber Silva, gerente de Projetos da Ceva Logistics Brasil, em entrevista ao Guia Marítimo.

Os executivos dos operadores afirmaram que, para atender o aumento da demanda de transporte de cargas especiais, novas operações serão realizadas. "Por se tratarem de setores altamente especializados, será necessário criar e adequar novos serviços". Um dos exemplos é a criação de voos charters com rotas específicas da cadeia e suprimentos das empresas de óleo e gás, explicou o executivo da Ceva.

A principal rota de carga de projeto, segundo os entrevistados, é entre a China e o Brasil, com grande potencial para a assinatura de novos contratos. "No último trimestre, foram assinados dois novos contratos com dois grandes players do setor de óleo e gás", disse Silva.

Mesmo com o mercado crescente, o diretor da DHL acredita que a crise atrapalhou o potencial do segmento. "O crescimento poderia ser até três vezes maior do que o verificado", completou.