1 de fev. de 2010

Transporte Rodoviário de Cargas

Transporte Rodoviário de Cargas

"O transportador come O caminhão, e não DO caminhão".

Apesar de escrever com regularidade sobre assuntos relacionados transporte e logística, atuar como professor e pesquisador (tanto no IPELOG quanto em universidades de Porto Alegre e Campinas), nem sempre atuei na área da educação e conhecimento.

Na verdade tive o privilégio de iniciar a minha vida profissional na área de transporte rodoviário de cargas, como vendedor.

Além disso, tive uma felicidade maior ao ter como companheiro de trabalho em muitas ocasiões o meu pai. Para quem não o conhece, o professor Günther Horst Schlüter é o precursor de todos os profissionais de consultoria especializada em transporte rodoviário de cargas.

A sua atuação remonta o ano de 1972. Para se ter uma idéia, foi dele a iniciativa de incentivar a família Fração (ex-proprietária do Expresso Mercúrio), a mudar a sede da matriz para Porto Alegre, entre muitas outras iniciativas junto a diversas empresas de transporte rodoviário de cargas (ele ainda atua como consultor junto a uma empresa de grande porte do país).

Tive uma boa dose de construção de conhecimento sobre este setor ao longo da minha carreira profissional e acadêmica, que culminaram em diversos estudos, artigos, livros e prêmios ao longo dos anos.

Em todos estes anos que acompanho de perto o setor de transporte rodoviário de cargas, tenho constatado um aspecto de extrema importância para as empresas e por decorrência para o setor. Trata-se da gestão sistêmica da tarifa.

Qualquer empreendedor do TRC (transporte rodoviário de cargas), sabe que o setor é altamente competitivo (são mais de 30.000 empresas cadastradas na ANTT).

O mercado encontra-se disperso e não existe nenhuma proteção de mercado (exceto para o transporte de automóveis e de dinheiro). A tecnologia de operação é extremamente simples quando se trata de carga completa (uma origem e um destino), mas complica muito quando se trata de tecnologia de gestão.

A tecnologia de gestão do TRC (aliás esta é a área de atuação do Prof. Günther), é complexa quando se trata do sistema em que a empresa está inserida. Transporte de cargas é diferente de transporte de passageiros. O transporte de passageiros tem como característica de operação a ide e volta do elemento transportado.

O transporte de cargas possui uma origem e um destino e nem sempre é possível obter neste destino, a carga de retorno ao mesmo tempo e nas mesmas quantidades.

Esta falta de sincronia tempo/quantidade, é o principal elemento que inviabiliza a operação de muitos negócios, só que não é levado em consideração quando é realizada a montagem da tarifa.

Muitas vezes a tarifa é elaborada levando-se em conta somente um trecho, sem acrescentar as dificuldades de obtenção de carga no destino, para retorno do veículo.

Tenho visto alguns negócios onde a empresa se sujeita a receber cerca de 70% do gasto com combustível em determinados percursos, apenas para reposicionar o veículo em posições geográficas com maior facilidade de obtenção de carga.

O problema se agrava quando o gestor não consegue visualizar a ocorrência desses prejuízos, pois as operações são muito dinâmicas (as coisas acontecem rápido demais para serem percebidas), e não existe informação adequada para detectar o problema.

Como resultado temos um setor onde a tarifa não é adequada a necessidade de rentabilidade do negócio e acaba sendo percebida tarde demais pelo empresário do setor.

Muitas vezes a “ficha cai” quando ele não tem mais frota e sua “carta-frete” não é mais aceita nos postos de combustíveis conveniados (aí o caminhoneiro autônomo faz “arresto no peito” das mercadorias e só entrega no cliente da transportadora quando receber o valor do frete... mas isto será assunto na continuação deste editorial).

Mauro Roberto Schlüter

Fonte: ATRBRASIL

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